Banco Central mantém taxa Selic em 2% ao ano

Banco Central Taxa Selic

O Banco Central, por meio do Comitê de Política Monetária (Copom), anunciou no final da tarde desta quarta-feira (28) que manteve a taxa básica de juros, a Selic, em 2%. Esta deve ser a última reunião do Comitê em 2020.

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“No cenário externo, a forte retomada em alguns setores produtivos parece sofrer alguma desaceleração, em parte devida à ressurgência da pandemia em algumas das principais economias. Há bastante incerteza sobre a evolução desse cenário, frente a uma possível redução dos estímulos governamentais e à própria evolução da Covid-19. Contudo, a moderação na volatilidade dos ativos financeiros segue resultando em um ambiente relativamente favorável para economias emergentes”, explicou o Copom por meio de nota oficial publicada no site do Banco Central.

Entretanto, este cenário deve mudar em 2021. De acordo com o economista Gustavo Bertolli, o ano deve começar com aumento da Selic, até pela expectativa de melhoria no mercado financeiro e do cenário de pandemia.

“A expectativa é de que a taxa possa subir para 2,75% em 2021. Porém, isso dependerá dos dados da inflação e atividade econômica. De todo modo, mesmo que ocorra, essa elevação dos juros para 2021, não deverá afastar os investidores, visto que o país continua extremamente atrativo para o mercado internacional”, explica.

“O Copom entende que a conjuntura econômica continua a prescrever estímulo monetário extraordinariamente elevado, mas reconhece que, devido a questões prudenciais e de estabilidade financeira, o espaço remanescente para utilização da política monetária, se houver, deve ser pequeno”, explica o Comitê.

O economista da HLB Brasil, Marcelo Fonseca, esclareceu como está última reunião do Copom vai interferir na economia brasileira.

Segundo o BC a incerteza quanto a recuperação econômica permanece em função de eventual segunda onda da pandemia no exterior, como também em função do impacto que o fim do auxílio emergencial trará sobre a economia brasileira. Com relação a inflação, que dá sinais de vida, o BC entende que se trata de choque temporário, não sendo este motivo suficiente para mudança neste momento na trajetória da SELIC.

O fato é que o juro real está em campo negativo em um momento de incerteza global associada a discussão da sustentabilidade da dívida pública brasileira. Este cenário pode agravar a depreciação do Real com impactos sobre a inflação.

A ata divulgada logo após a reunião optou por dar tom ameno a questão fiscal, em linha com as anteriores, tornando o tom protocolar. O BC poderia ter alertado com maior veemência sobre os riscos associados a trajetória explosiva da dívida pública. A condução da política monetária neste momento passa não só pelo controle da inflação, mas também sobre a dinâmica da dívida pública.