Banco do Brasil: Como a privatização vai interferir na economia brasileira

Banco do Brasil

O discurso recente do Ministro da Economia, Paulo Guedes, durante a reunião ministerial, foi de que o Governo Federal deveria iniciar, imediatamente, a privatização do Banco do Brasil. O assunto já esteve em pauta durante alguns governos anteriores e voltou com força ao cenário político e econômico no governo Bolsonaro.

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No entanto, como esta possível privatização poderá interferir na economia brasileira?

Gerenciamento

Segundo Marcelo Fonseca, economista e sócio da HLB Brasil, o setor público deveria focar em situações como saúde, educação, segurança e transporte. Ao privatizar o Banco do Brasil, os negócios podem melhorar para a instituição. “Ao privatizar o BB o novo controlador teria maior liberdade para gerir pessoas e o negócio em si, ficando livre ainda de eventual ingerência política. A lógica por trás das privatizações é a de aumentar a eficiência da empresa privatizada”, argumenta.

O economista acredita que a privatização vai melhorar a gestão empresarial e o relacionamento com os clientes. “O ponto positivo de toda a privatização é melhorar a gestão de pessoas e recursos, além de liberar o setor público para focar suas atenções em áreas mais afeitas a sua obrigação (segurança, saúde, educação e transporte, por exemplo). Por vocação, a gestão de negócios é mais eficiente no setor privado, algo que não ocorre somente no Brasil”.

“O ganho de eficiência é muito grande, com consequente melhoria da qualidade dos produtos e serviços entregues à sociedade. Pode-se argumentar que o governo federal pode utilizar o banco como canal pelo qual ajudará pessoas e empresas por meio de auxílio e linhas de crédito emergenciais, contudo se trata de situação atípica, o que não deveria invalidar os benefícios da venda do banco”, acrescenta.

Crédito

Atualmente, o Banco do Brasil concentra boa parte dos créditos oferecidos em meio a crise econômica provocada pela pandemia do coronavírus. Fonseca acredita que a privatização não vai afetar a oferta, principalmente que ar privatização do BB ainda é uma ideia do governo e não há nada formalizado. “O assunto ainda está em estágio inicial e é cercado de muitos obstáculos e preconceitos. Portanto, não deverá haver qualquer tipo de impacto sobre as linhas de crédito existentes”. O economista ainda pontua que o número de agências pode mudar, de acordo com a necessidade do futuro controlador.

Concentração das ofertas após privatização

Fonseca destaca que a mudança mais significativa nesta privatização vai ser a concentração de ofertas no meio bancário. “Como estrutura de mercado, a privatização poderá concentrar ainda mais o setor, caso o novo controlador seja um dos grandes bancos nacionais. E esse é um problema para o qual as autoridades reguladoras deverão voltar toda a atenção. O setor bancário brasileiro é concentrado em um pequeno número de bancos, o que em alguma medida explica os elevados custos do crédito no Brasil”, explica.

Por fim, Fonseca acredita que o assunto não demanda urgência, devido a situação de saúde atual, mas destaca que a privatização deverá seguir todas as normas e não prejudicar os atuais e futuros clientes. “Apesar da baixa probabilidade que esta venda ocorra dentro do atual mandato presidencial, faz-se necessário que os órgãos reguladores busquem fomentar a competição no setor bancário em eventual privatização. Neste momento, a agenda da concorrência bancária deveria ocupar os holofotes, deixando a discussão da venda do BB para um momento mais oportuno”, conclui.