E se o dinheiro físico estiver mesmo com os dias contados?

Dinheiro físico
(Foto: Reprodução)

Por Tiago Reis * – Não é possível afirmar que o dinheiro físico irá desaparecer, mas é visível que temos utilizado-o cada vez menos. Mais do que criar novas formas de substituir o papel, vivemos um momento em que a necessidade de interação entre o digital e o físico no mercado financeiro é latente.

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Prova disso foi que o Nubank, que causa revolução no setor bancário por operar na lógica online, liberou recentemente a função de saque em dinheiro para seus clientes. No lado mais tradicional, outro exemplo: o Itaú criou um cartão virtual para teclado, uma ferramenta para facilitar as transações digitais fora do ambiente virtual do banco.

Primeiro país da Europa a introduzir cédulas impressa (em 1661), a Suécia também vem dando sinais de que será o primeiro país a praticamente extinguir o dinheiro vivo. Em 2016, apenas 1% dos pagamentos do país foram feitos fora do meio digital.

Difícil dizer se chegaremos a uma sociedade “cashless” como se diz no termo em inglês, mas conseguimos ver vantagens e desvantagens onde o dinheiro de papel não existe.

Por um lado, a ausência do dinheiro vivo reduz a oportunidade de crimes. Não só de roubo propriamente dito, mas lavagem de dinheiro e evasão fiscal. Por outro, também expõe o cidadão à ação de hackers, criminosos que podem causar prejuízos através do roubo de recursos e também de informação. Isso porque o acesso indevido às transações online pode comprometer a privacidade dos usuários. E as informações sobre as operações podem ser usadas de forma que ainda não podemos prever.

Sem moeda ou papel, há uma redução do custo com emissão e também para depósito e saque. Teoricamente, o custo para o consumidor também seria menor. Mas o que vemos no meio digital atualmente, no entanto, é que as instituições financeiras que têm controle sobre todo processo de pagamentos fazem cobranças sobre operações virtuais. Aqui no Brasil, por exemplo, sabemos o quão pesados é o valor da tarifa bancária que é paga para muitas das transações.

Um dos pontos que acredito serem dos mais desafiadores na questão do “cashless” está na dependência total da tecnologia. Um exemplo desse risco foi o que aconteceu com sistemas de pagamento Visa na Europa no último ano, que sofreram interrupções. Casos como esse, passíveis de acontecer, deixaram muitas pessoas sem receber ou realizar pagamentos. Em um universo em que 95% dos cartões rodam na rede da empresa, como ocorre no Reino Unido, podemos imaginar qual foi o impacto. Fácil pensar no tamanho do problema em uma pane elétrica decorrente de um desastre natural pode causar, por exemplo.

A dependência tecnológica também coloca pessoas como idosos e populações de baixa renda em risco de exclusão financeira, já que estes não têm alternativa de dispositivos para realizar seus pagamentos. Pequenos negócios também se tornam mais suscetíveis à perda de clientes.

Em um contexto de constante transformação, vejo a integração dos sistemas, com maior número de opções entre digital e físico, como uma saída. Enquanto a informação e o acesso ao mercado financeiro não forem disponíveis para todos, é difícil pensar em uma sociedade em que tudo será feito por meio digital. E, assim como no mercado financeiro, apostar todas as fichas em uma única alternativa pode ser um grande risco.

* Tiago Reis é da casa de análise financeira Suno Research

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