Especialista mostra como organizar o caixa da empresa para 2020

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Na maioria das vezes a situação se repete: enquanto o empregado está ansioso para receber os ganhos extras, descansos e demais situações pertinentes ao final ou início de um novo ano, o empregador está angustiado tentando uma linha de crédito com instituições financeiras para honrar o compromisso.


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Segundo uma análise da Avante Assessoria Empresarial, muitas empresas enfrentam esse problema, entretanto existem distinções por setores. Em linhas gerais, o comércio tem um final de ano mais movimentado, seu faturamento aumenta e os compromissos desse período são honrados, por outro lado, o início do ano tende a ser tenebroso, os compromissos mensais continuam e o faturamento despenca.

No caso da indústria e serviços, a tendência é contrária, o final de ano costuma ser complicado, o faturamento diminui consideravelmente e os compromissos aumentam, por outro lado, no início do ano, mais precisamente pós-Carnaval, o mercado tende a se normalizar.

Como sobreviver?

Os gastos do período são muitos, destacando décimo terceiro salário, participação nos lucros (P.L.R.), férias coletivas, cestas natalinas, confraternização, brindes para os principais clientes, dentre outros. Diante dessa realidade, para uma empresa sobreviver o planejamento é a palavra-chave para evitar que o caixa entre em colapso no período sazonal de cada negócio.

“Um importante detalhe é que o resultado da empresa deve ser analisado periodicamente e rigorosamente de forma mensal, e em uma análise posterior deve-se elaborar uma estratégia para que a operação permaneça ou se torne lucrativa, fazendo com que parte deste caixa gerado seja reservado para honrar os compromissos durante a sazonalidade. Para situações mais complexas, sugerimos a elaboração de um budget”, que nada mais é que um “orçamento empresarial”, explica o diretor executivo da Avante, Benito Pedro.

Ele pontua que esse também é o período correto para planejamento do próximo ano, pois ao final de 2019 o budget do ano seguinte deve estar praticamente pronto. O mais difícil é criar essa cultura, já que, posteriormente, acaba tornando-se automático e fazendo com que os gestores de média gerência tenham uma visão analítica de toda operação da empresa.

Controladoria é a uma solução

Questionado sobre dicas preciosas para uma empresa que precisa preparar o caixa, Benito Pedro não hesita em responder: “Controladoria, eis o segredo de uma empresa organizada. Uma controladoria dinâmica fará toda diferença nas tomadas de decisões”. Essa área é basicamente a inteligência que analisa e interpreta as informações contábeis de uma empresa, tendo como objetivo reduzir as perdas e maximizar os lucros.

“É uma área estratégica nas grandes corporações (principalmente multinacionais), mas as pequenas e médias empresas não dão a adequada relevância para esse trabalho, sem perceber a existência de uma necessidade estratégica de implementar uma área de controladoria para quem pretende crescer. A tomada de decisão dos empresários depende dos seus resultados e indicadores. Informações corretas são sinônimos de decisões corretas”, conta o diretor executivo da Avante.

Ele aponta que a área tem diversos papéis, dentre os quais se destacam a implantação do plano de contas, visando análise minuciosa de todas as despesas e receitas da empresa. A partir desse trabalho, há a entrega do Demonstrativo de Resultados (DRE) e o relatório analítico de receitas e despesas.

O erro do crédito e necessidade de fluxo

Um dos erros mais comuns das empresas em relação às finanças de fim e início de ano é deixar a preocupação para última hora. Quando observa o tamanho do problema aguarda as instituições financeiras abrirem linhas de crédito para empresas que não se organizaram honrarem os seus compromissos.

Nesse ato se inicia um perigoso caminho para o endividamento das empresas, que se não for tratado adequadamente pode levar até mesmo à falência. Todo cuidado é pouco nessa hora e buscar alternativas como a redução de custos pode ser o caminho para arcar com esses gastos.

Outro ponto é estabelecer um fluxo de caixa para o negócio. Essa é uma importante ferramenta de controle, análise, avaliação da segurança financeira do negócio e de poupança de recursos, fornecendo ao empreendedor uma estimativa das necessidades futuras de recursos e/ou como e quando será aplicado o excedente de caixa.

Quando não ocorre essa gestão eficaz, o resultado é uma situação insustentável, caracterizada pelo frequente financiamento das necessidades de recursos oriundos de empréstimos bancários. A prática de “rolar” as dívidas por períodos prolongados exige que o empreendedor siga o calvário diário de mendigar aos gerentes dos bancos credores a renegociação dos débitos.

Também ocorrem situações ainda piores, nas quais empreendedores recorrem a modalidades de financiamento pouco aconselháveis, como o uso de recursos pessoais obtidos com o cheque especial ou cartões de créditos, que geram elevadas despesas financeiras até se depararem com uma situação precária.

Portanto, o principal objetivo da gestão do fluxo de caixa é oferecer ao empreendedor dados para a tomada de decisões financeiras, estimando as faltas ou o excesso de dinheiro, relacionado com:

• As atividades de compra, transformação de insumos e venda de produtos/mercadorias e/ou serviços, funções básicas de qualquer de negócio;
• Os investimentos em ativos fixos e capital de giro
• O aporte de recursos realizados pelos proprietários bem como a sua remuneração
• As aquisição ou amortizações de empréstimos bancários
• O pagamento de tributos (impostos, contribuições e taxas)
• A formação de uma poupança

Com isso, o empreendedor deverá identificar as fontes de recursos para cobrir as faltas ou aplicar os excedentes de caixa nas opções de investimentos de maior retorno e menor risco, sempre preservando a capacidade de pagamento em dia das dívidas assumidas.

Com isso, os riscos de endividamento se tornam muito menores e se ganha fôlego para que se possa investir no crescimento do negócio, abrindo novas frentes. Enfim, deixar o fluxo de caixa para segundo plano é uma falha que empaca o crescimento e pode até mesmo levar à falência.



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