Flexibilização pode auxiliar negócios, mas impactos na economia serão sentidos a longo prazo

Economia

O Governo do Estado de São Paulo decretou na última semana que serviços e comércio poderão voltar de modo gradativo e com algumas normas a partir do dia 10 de maio. O governador João Dória decretou esta mudança, enumerando algumas regras a serem cumpridas devido a pandemia do novo coronavírus. A medida serve para amenizar os impactos na economia estadual.

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No entanto, os impactos desta paralisação ainda deverão ser sentidos, principalmente na economia. “A flexibilização, em curto prazo, não vai auxiliar em absolutamente nada a economia, principalmente se ela for mal feita. Ela só vai ter algum efeito se ela for bem planejada e se nós atingirmos o nível de isolamento social que é necessário”, comenta o economista Ricardo Balistiero.

Governador João Dória flexibiliza abertura de comércio no estado de São Paulo (Foto: Divulgação)
Governador João Dória flexibiliza abertura de comércio no estado de São Paulo

“O isolamento social horizontal é necessário para evitar o caos no sistema de saúde. Na medida em que o sistema não esteja sobrecarregado, a reabertura de setores não essenciais pode ser liberada de forma responsável e escalonada.”, comenta Vagner Cavalcanti Ribeiro, professor do Centro Universitário Salesiano de São Paulo (Unisal) e mestre em Administração.

Segundo Balistiero, os principais profissionais que sentirão os impactos da crise são os informais, que correspondem a 40% da população. “Essas pessoas não têm qualquer tipo de proteção, não tem condições de exercer suas atividades porque não têm pessoas circulando pelas ruas. Então entra o governo com política distributiva. É para isso que serve o Estado que, entre outras coisas, é o provedor da política distributiva”.

Já Ribeiro analisa os impactos como um todo, principalmente no mercado financeiro e da bolsa. “Os impactos principais são a desaceleração econômica, alta volatilidade nos preços de ativos financeiros, aumento do dólar, queda dos índices da Ibovespa, desvalorização do real, empresas paralisadas, por conseguinte, queda do poder de compra, diminuição do consumo e a retração da economia”.

Programas e auxílios públicos

Para amenizar os efeitos nas finanças, o Governo Federal vem adotando uma série de medidas para auxiliar a população, como o adiantamento de FGTS, liberação do PIS/Pasep, auxílio emergencial de R$ 600 e a liberação de crédito por meio de bancos públicos e privados. Entretanto, Balisteiro propõe que o governo aumente esta oferta para os contribuintes.

“O plano emergencial ele auxilia, mas ele é tímido, ele deveria ser maior, de um salário mínimo por seis meses. Isso daria tranquilidade para que as pessoas ficassem em casa. Então liberar FGTS, essas coisas, faz parte do pacote, mas haveria necessidade de alguma coisa mais forte”.

Para Ribeiro, o governo deve pensar em soluções a longo prazo, principalmente para recompor a poupança dos trabalhadores. “Com exceção do auxílio emergencial, o uso de FGTS e PIS/Pasep que, na maioria das situações, são a única forma de poupança da população economicamente ativa. A medida em que os recursos forem mais escassos, o trabalhador terá menores condições de enfrentar novas crises ou mesmo situações de desemprego. O governo deve pensar em planos de longo prazo que possam recompor esta poupança compulsória e assim preservar o poder de compra e subsistência dos trabalhadores no longo prazo”.

Micros e pequenas empresas

Os dois profissionais entrevistados pelo Konta Azul mostram que os micros e pequenos empresários serão os mais afetados pela crise. Segundo Balistiero, o momento é de repensar finanças e negociar sempre. “Neste momento é negociar, usar todos os recursos que estão disponíveis, como por exemplo reduzir salários, permitindo que sejam complementados pelos programas do governo, renegociar contratos, pagamento de tributo, tudo que está à disposição neste momento deve ser utilizado”.

Micro e pequenas empresas devem ser as mais afetadas na economia (Foto: Reprodução)
Micro e pequenas empresas devem ser as mais afetadas na economia (Foto: Reprodução)

Ribeiro fala em “reinvenção” dos negócios e pensar em um negócio mais digital. “Muitos [empresários] estão migrando seus negócios para plataformas digitais, inserindo suas atividades no comércio eletrônico. Plataformas de grandes empresas estão sendo compartilhadas para que essas micros e pequenas empresas possam vender seus produtos e utilizar os sistemas de divulgação, meios de pagamentos e logística destes novos parceiros. A tecnologia está se tornando um novo aliado dos pequenos negócios e obrigando estas pessoas a se desdobrarem, buscarem ideias novas”.

Futuro da economia

Questionados de como será o futuro do Brasil em meio a pandemia, crise econômica e com o novo cenário de flexibilização, Balistiero, primeiramente, analisa que os impactos ainda serão sentidos, pois a verdadeira crise ainda não aconteceu.

“O impacto é forte e ainda não chegou no seu ponto máximo. Neste momento estamos vivendo a crise sanitária do país e, no segundo momento, vamos viver a crise econômica. Ainda não vimos a crise econômica, isso ainda está abaixo do que outros países já viveram, ainda veremos o impacto econômico. É neste momento que veremos o número de mortos e feridos no meio empresarial”, explana.

“Ainda não dá para mensurar a taxa de desemprego real no Brasil. Vimos pela concessão do auxílio emergencial que o número de trabalhadores informais e desempregados é muito superior as expectativas e projeções do governo. Podemos afirmar que o fechamento de empresas neste período de pandemia só trará maiores incertezas, e as classes mais afetadas serão os empregados autônomos, diaristas, prestadores de serviço, pequenos comerciantes e produtores de bens não essenciais”, comenta Ribeiro.

“Uma opção seria flexibilizar os horários dos setores, como a indústria, o comercio e fazer valer o cumprimento de algumas normas necessárias ao bom funcionamento, tais como os EPIs e a higienização, além de fazer o isolamento vertical. Vamos trabalhar e torcer por dias melhores”, conclui o professor.

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