Micro e pequenas empresas relatam dificuldades na busca por crédito em meio à crise econômica

Crédito Bancos Empresas

Algumas empresas, principalmente os micro e pequenos negócios, têm relatado dificuldade ou mesmo reprovação na solicitação de crédito em meio à crise financeira causada pelo coronavírus. Nos últimos meses, o governo tem liberado financiamentos para pagamento de salário e despesas, mas os empresários têm relatado problemas no momento de requerer o pedido ou na aprovação do crédito

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De acordo com um estudo do Sebrae em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o aumento de solicitação de crédito por estas empresas teve um salto de oito pontos percentuais, no período de 7 de abril a 5 de maio deste ano. Por outro lado, apenas 14% destas empresas tiveram suas solicitações aprovadas, enquanto 86% dos empreendedores entrevistados na pesquisa tiveram seus pedidos negados ou estão sob análise da instituição financeira.

Esta é a terceira pesquisa realizada pelo Sebrae logo após os casos de Covid-19 serem confirmados no Brasil. Nesta edição, foram ouvidos 10.384 microempreendedores individuais (MEIs) entre os dias 30 de abril e 5 de maio.

A pesquisa também mostra que 89% dos pequenos negócios sofreram queda no rendimento mensal; 4% não perceberam alteração de faturamento; 2% conseguiram registrar aumento na receita no período; e 5% não quiseram responder. Em média, o faturamento foi 60% menor que no período pré-crise, como aponta o Sebrae.

A pesquisa pode ser consultada no link: https://datasebrae.com.br/wp-content/uploads/2020/05/CR%C3%89DITO-NO-BRASIL-PARA-MPEs-EM-TEMPO-DE-COVID19_v06-1.pdf

Dificuldade no acesso ao crédito

A dificuldade na liberação deste tipo de crédito é enfrentada pelo empresário Hélio Miranda, dono de uma pequena empresa de fabricação e venda de móveis infantis, que opera em São Paulo desde 2016.

Segundo Hélio, desde o início da empresa, ele tentou buscar empréstimo junto ao BNDES, mas nunca foi aprovado. “Você entra no site tem que ficar fazendo pesquisas, colocamos o que precisamos nas pesquisas e nada aparece, então perde muito tempo procurando no site. As informações que consegui [sobre o empréstimo] eu não consegui no site do BNDES, tinha que fazer pesquisas no Google, no Youtube, de pessoas que já usaram o serviço”, relata o empresário.

Hélio conta que sempre teve as contas em dia e que possui uma conta ativa no Banco do Brasil, mas que nunca conseguiu pedir uma ajuda desde que abriu a empresa, e agora, com a crise, continua com a mesma dificuldade. “Possuo conta no Banco do Brasil há mais de seis anos, descobri que eles são parceiros do BNDES, mas só consegui atualizar meu cadastro por meio de uma amiga, que, por intermédio dela, me passou o e-mail de pessoas de dentro da agência, onde consegui atualizar meu cadastro”.

O empresáriorelatou que nos últimos dias buscou mais informações sobre o Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte) para injetar recursos financeiros na empresa, mas que algumas condições não foram vantajosas ou mesmo divulgadas no momento da apresentação do programa. “Eu consigo financiar o crédito em 36 meses, mas eu não posso demitir meu funcionário por 36 meses. Tenho que garantir que todos meus empregados estejam no cargo neste período. Então eu terei que manter um empregado que não está colaborando com a empresa senão é alegado quebra de contrato ou antecipação do financiamento”.

“Outra coisa que eu achei bem difícil, pois tenho boa relação com meus funcionários, é se eu pegar um empréstimo de R$ 100 mil eu tenho que dar uma garantia de R$ 100 mil também. Nem todo mundo tem um imóvel ou um bem de R$ 100 mil para deixar de garantia. É difícil mesmo, a dificuldade é imensa”, complementa.

Outro lado

O Konta Azul entrou em contato com o Ministério da Economia e os principais bancos do país para entender melhor esta burocracia e saber como os problemas citados acima podem ser resolvidos.

O que diz o Ministério da Economia

Em nota, o Ministério da Economia explicou como está atuando nestas situações:

O Ministério da Economia tomou um conjunto de medidas para combater os efeitos da pandemia da covid-19 na economia. Os técnicos acompanham atentamente a implementação dessas ações e as dificuldades que os empresários estão enfrentando para ter acesso ao crédito no sistema bancário. 

Para superar este impasse entre a necessidade de crédito dos micros e pequenos empresários e as liberações por parte das instituições financeiras, o presidente sancionou essa semana o Pronampe. O programa é de iniciativa do Legislativo, mas está vinculado à Secretaria Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade.

O foco do Pronampe é ofertar garantia aos empreendedores com recursos do Tesouro Nacional, que poderão ser acessados pelos bancos para apoiar as operações de empréstimos. Após cumprir prazos exigidos por lei, a previsão é que estes recursos estejam disponíveis a partir de junho.

O que dizem os bancos

Bradesco

O Bradesco enviou uma nota oficial detalhando quais são as ações utilizadas pela instituição para atender os clientes.

“Para amenizar os impactos desse momento, o Bradesco disponibilizou soluções de crédito como a Prorrogação de Parcelas de empréstimos com até 120 dias de carência para pagamento da próxima parcela, Financiamento da Folha de Pagamento com carência de 6 meses e 30 parcelas para pagar, além de limites de Capital de Giro com até 90 dias de carência e até 6 anos para pagar. Tudo isso contratado de forma online, garantindo conveniência e praticidade aos clientes”, informou o Bradesco.

Para mais informações, acesse o https://banco.bradesco/aguentefirme/

Itaú

O Itaú informou que “tem apoiado empresas tanto com soluções de carência e alongamento de prazos, como com crédito para enfrentamento das dificuldades nesse período da pandemia. Como você deve estar acompanhando, existem iniciativas tocadas pelo governo [como a linha para folhas de pagamento] e outras iniciativas que os bancos têm tocado individualmente. Abaixo te mando dois textos sobre essas duas vertentes”.

As informações podem ser acessadas pelo site oficial do banco e para as empresas interessadas no financiamento de salários o site é https://www.itau.com.br/empresas/financiamento-de-salarios

Caixa

A Caixa informou que tem diversas linhas de crédito para as empresas em todos os ramos de atuação. “O banco atua com amplo portfólio de linhas de crédito para capital de giro, antecipação de receitas e investimentos para Pessoas Jurídicas, ofertando taxas atrativas de forma a atender o micro e pequeno empresário em suas mais variadas necessidades de recursos financeiros”, informou a Caixa.

O banco trabalha com serviços de capital de giro, linha de crédito para aquisição de máquinas e equipamentos, linha de crédito para financiamento de salário de empresas com faturamento anual entre R$ 360 mil e R$ 10 milhões, além de uma linha em conjunto com o próprio Sebrae para empresas com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões.

Não obtivemos retorno do Banco do Brasil, Santander, Nubank e Banco Inter até o fechamento desta reportagem.

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