Saída de CEO da Eletrobras tem lados positivos e negativos, segundo Ativa

Eletrobras

Na noite de domingo, dia 24/01, a Eletrobras anunciou a renúncia do seu CEO Wilson Ferreira. Horas mais tarde, imprensa publicava que Ferreira está indo para a BR Distribuidora. “De uma maneira geral, é uma notícia negativa para Eletrobras e positiva para a BR. Wilson é reconhecido pelo mercado como um ótimo gestor, com um excelente trabalho realizado, anteriormente, na CPFL e agora na estatal”, diz Pedro Serra, gerente de research da Ativa Investimentos.

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Eletrobras – Ao renunciar, Ferreira deixou claro que um dos principais motivos foi a baixa visibilidade que ele estaria tendo agora quanto a privatização da Eletrobras. “Não colocamos esse motivo como sendo o único de sua decisão, uma vez que a BR Distribuidora aprovou o nome dele no fim de dezembro, ou seja, muito provavelmente isso também deve ter entrado na conta do CEO. Além dessa questão, já há muitas dúvidas no mercado sobre quem deve assumir o posto e, principalmente, se o governo irá fazer pressão para colocar um nome que sirva de capital político, visto que estamos próximo das eleições para presidente da câmara. Aqui então, temos duas notícias bem negativas: 1 expectativa de privatização da estatal ficou muito incerta e dois risco de loteamento político ficou elevado”, explica Serra.

O que poderia ajudar? O conselho de administração atual é formado por pessoas indicadas ainda no governo Temer e consideradas técnicas e é o conselho que decide quem deve assumir o posto. Essa será a verdadeira prova de fogo de independência desse conselho. Para os analistas da Ativa Investimento, a única possibilidade da Eletrobras conseguir reverter (em parte) o pessimismo que agora paira sobre a estatal, é a do conselho eleger, o mais rápido possível, um nome técnico que não seja ligado a nenhum político e, ao mesmo tempo, consiga obter a simpatia dos políticos. Assim o risco de loteamento seria esvaziado. Quanto ao mercado dar o benefício da dúvida em relação a privatização, ainda consideramos pouco provável no curto/médio prazo.

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BR Distribuidora – Diferentemente da Eletrobras, aqui a notícia é positiva. A chegada de um CEO do calibre do Ferreira e com experiência no setor de energia é muito importante para a empresa. “Entendemos que a BR vem encerrando o seu primeiro ciclo, em que deixou de ser estatal e subsidiaria da Petrobras e passou a buscar um novo norte estratégico e corte de custos. O CEO Rafael Grisolia conseguiu realizar o IPO, cortar custos e tornar a empresa mais competitiva, dado que vinha perdendo mercado, porém parte do mercado estava descontente com sua gestão por achar que poderia ter feito mais, especialmente no business de conveniência”, avalia Pedro.

Agora o novo clico será bem diferente, dado que a BR terá que buscar sua participação de mercado perdida e revisitar os seus negócios em um mercado que está passando por diversas transformações, como o fim do monopólio da Petrobras no Refino e, mais no longo prazo, analisar novos negócios (mercado de gás e/ou energia) e a chegada do carro elétrico. “Todos esses desafios e oportunidades demandarão uma liderança com boa capacidade de gerar valor para os acionistas e, do ponto de vista interno, firme e amplamente reconhecida para contar com engajamento de seus colaboradores na execução dos próximos planos estratégicos que deverão surgir”, finaliza o gerente de research da Ativa Investimentos.